quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Mudança


Mudança 



 

  Nada te prepara para a mudança. 

 É um processo mais longo e complexo do que os nossos planos possam prever. É quase como deixar uma vida pra trás, e começar uma nova. A sensação de que nada vai dar certo vive batendo à porta do nosso estômago. E o nosso coração se enche de uma resolução incontestável: ou dá certo, ou dá certo. São inaceitáveis quaisquer tentativas de falha ou auto sabotagem.

  Mudar de lugar nos muda inteiros. Mudar de círculo é como precisar duplicar um compartimento de memórias que nasce na nossa mente, e pouco a pouco vai sendo armazenado no nosso coração. Mas esse espaço de armazenamento não substitui memórias por outras. Ele duplica, triplica, e se multiplica quantas vezes forem necessárias, quantas vezes as mudanças de círculo exigirem.

  Mudar de lugar nos muda inteiros. Novos hábitos nascem, antigos hábitos evoluem. Nossa vida enriquece, ainda que se percam algumas partes de nós mesmos.

  O que eu faço quando acordo? Onde gosto de passar minhas tardes? Para onde olho, observando o nada, calada, quando preciso organizar meus pensamentos?

  A maior das vantagens é a necessidade de reinvenção. Explorar novamente os limites. Se readaptar e reencaixar.

  É se espremer para caber de novo num mundo que já existe (quase como tentar entrar de novo, aos 33, numa blusinha que eu usava aos 18 [não que eu tenha tentado (até porque seria impossível)]).

  É como uma dor de crescimento. Não é fácil, mas os resultados nos fazem progredir.

  Algumas vezes tem um sabor um pouco triste. Mas hoje vejo que os lugares que sempre achei que eram físicos, estavam atrás dos meus olhos. As pessoas adquiriram moradia fixa no meu coração. As sensações eu trouxe na pele. O que eu sabia, e que me deixava confortável, se transformou numa enciclopédia que posso consultar sempre que precisar.

  Mudar é como um pequeno choque que cura uma dor. No começo dá uma sensação ruim, desconfortável. Mas como é bom sentir a dor indo embora. Não necessariamente a dor de um sofrimento, mas uma dor de não conseguir fazer o que mais quero e preciso no lugar em que me sinto mais confortável.

  Não é como ser uma outra “eu” por estar num novo lugar. É ser “eu” em dobro. Muito mais lugares para apreciar, pessoas para se apegar, momentos para criar. É se reinventar sem desprezar o velho.

  A saudade logo se instala, num lugar bem confortável. Quando ela se mexe muito, dói, mas o remédio está sempre à mão. A comunicação viaja rápido o suficiente pra não deixar a saudade desconfortável por muito tempo.

  E o costume chega, meio sem jeito no início, mas logo se ajeita. Logo esse passa a ser o seu lugar, as pessoas passam a ser as suas pessoas, a vida passa ser tão prazerosa quanto uma boa vida pode ser. A gente só precisa deixar que seja, se permitir abraçar a nova vida. E vivê-la, tanto quanto possível.

  E então, todo lugar que você viver, será o seu lugar.


     *MaRi Rezk*


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

A Pessoa da Dor

                                                 A Pessoa da Dor




  Às vezes surge sem motivo. Às vezes o motivo mora no fundo do nosso coração. Em outras, o porquê é pequeno demais pra tanto impacto, mas não somos nós que decidimos a intensidade da presença dela. Em muitas vezes, a razão dela surgir é óbvia, grande, e domina todo o nosso entorno.
  A dor, quando surge, é como um outro alguém dentro da gente. Ela toma suas próprias decisões, de quando aparecer, e em qual intensidade vai agir na gente. Quando ela decide que quer se instalar no nosso coração naquele momento, não nos permite guarda-la pra quando estivermos em casa. Ela só vem, assim como deseja.
  Certas dores têm origens menores que outras, mas doem na gente como bem entendem. Quando ela vem acompanhada de um vazio, ele cresce a cada vez que ela nos visita, até que se torna um abismo. 
  Quando o nosso coração figurativo se enche tanto da dor, ele transborda para o nosso coração literal. Conseguimos senti-la no nosso corpo. Seus efeitos a caracterizam quase como uma doença, mas invisível. Uma doença que está em tudo, mas em lugar nenhum. Não pode ser retirada com uma cirurgia, não pode ser vista num raio-x. Mas é capaz de nos paralisar.
A cura vem numa velocidade 100 vezes menor. É de difícil acesso, e geralmente precisa de um empurrãozinho externo pra funcionar. A cura depende de uma energia que a própria dor nos rouba. É um ciclo difícil de quebrar. 
   O tempo não resolve tudo. Ele ajuda, mas não resolve. Tampouco diminui a dor. O tempo apenas nos faz chegar a mais conclusões, que nos ajudam a entender alguns dos porquês. Talvez alguma conformidade. Isso porque o quê a dor mais faz é nos fazer pensar no assunto. E de tanto martelar na nossa cabeça, gerar ideias, teorias e visões de novos ângulos, conseguimos entender certas nuances. Mas a dor continua a doer. 
  A carga é tão pesada, que a melhor maneira de amenizar os danos é dividi-la com alguém. Que é exatamente o que a dor não quer que você faça. Mas é o que nos ajuda a conseguir levantar, ainda que ela continue nos golpeando - pedir e aceitar ajuda.
  Algo que geralmente costuma ajudar é redirecionar nossa concentração. Estabelecer prioridades, identificar pontos positivos, e direcionar nossos pensamentos e esforços para isso. Não estou dizendo que é fácil (e nem que consigo fazer isso sempre). É um processo. Como todo processo, leva tempo e energia.
   Alguns remédios naturais também ajudam na cura. Uma dose diária de luz do sol, brisa suave no rosto e movimento, pra dar um motivo de verdade pro coração acelerar. É preciso se permitir sorrir, apreciar e amar, ainda que sofrendo, lá no fundinho, com as marteladas da dor.
  O importante é que muitas vezes a dor vem acompanhada de um novo saber. Um novo ponto de vista. Não gosto de chamar de lição, porque ninguém gosta de aprender assim. Mas um novo olhar, uma nova percepção. E isso talvez nos ajude a evitar novas dores. E no final, a vida, nessa realidade, é isso - um monte de dores que buscamos evitar.


            *MaRi Rezk*



segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Parecer ou Ser

                                                 
                                                   Parecer ou Ser





   Sempre fui uma grande fã de redes sociais. E, na posição de legítima pessoa tímida (por vezes até de forma problemática), essas redes sempre me proporcionaram a visibilidade que eu gostaria, mas com sofrimento diminuído (pra você que não sabe, gente tímida sofre bastante pra se comunicar. Não é que a gente não queira, é que a gente não consegue). Às vezes visibilidade até demais, não tenho orgulho de tudo que postei. Mas me foi muito útil, por muitas vezes.
  Mas ultimamente, não sei se pela idade ou maturidade, as redes sociais têm me cansado bastante. Talvez me irritado profundamente em algumas ocasiões, mas justamente pelo próprio propósito de sua existência. É sobre parecer mais do que ser.
  E sobre a cobrança de se parecer com o que você não é, ou cobrança do que deveria ser. O cansaço é tanto que os pensamentos estão emaranhados, mas vou desenrolar.
  Sou feliz, mas não todos os dias. Sei me arrumar, mas não estou disposta a fazer isso todo o tempo. Tem dias em que sou divertida, e outros em que estou mais introvertida e não sei conversar direito. Às vezes vou num restaurante japonês legal (bem às vezes, infelizmente), e às vezes eu como um lanche do Mc com o cupom mais barato que eu encontrar (e às vezes miojo é janta sim). Em alguns dias eu tiro fotos bem legais e não compartilho, e às vezes tiro fotos não tão boas, mas que dá vontade de compartilhar.
  O quê, disso tudo, define quem eu sou? Se posto uma foto feliz, perco o direito de ser triste? Se posto uma foto com uma calça indiana amarela e uma camiseta vermelha listrada (específico, pois já me ocorreu), perco o direito de ser elegante? Se posto uma foto boa, perco o direito de postar uma foto embaçada e torta? Será que aqueles 10 segundos de uma foto é tudo o que sou, ou tudo que foi o meu dia?
  É claro que existem questões mais profundas. Uma frase ou ideia postada revela um pensamento, ou ponto de vista. Nesse ponto acredito que sim, é importante ser criterioso. Mas aí é que está. Não é só sobre ser criterioso sobre compartilhar uma ideia, mas sim sobre ser criterioso no nosso pensamento. "Talvez eu não devesse compartilhar esse pensamento", você talvez pense. Mas será que você deve nutrir esse pensamento na sua mente e coração? 
  Talvez seja isso que esteja me incomodando. Tem sido tão disseminado nas redes sociais que você deve falar o que quiser, mostrar o que quiser, ser o que quiser nesse meio, que as pessoas estão esquecendo de cultivar o próprio bom senso. É como se fosse uma nova lei : "Não importa o quão torto sejam seus pensamentos e atitudes, o importante é que você pode ser o que quiser na sua rede social". E, pra falar a verdade, acredito sim que a gente deva postar o que quiser. Mas não é uma contradição na minha linha de raciocínio. Isso porque, se você é criterioso, tem bom senso e sabedoria no seu coração, não tem como dar errado. É bem simples na verdade. Em resumo: pareça ser quem você é, mas primeiro, seja alguém legal.
  As redes vendem uma ideia de que tudo é bonito, fácil, e que a gente deve ser capaz de fazer tudo o que os outros fazem. E isso nos adoece. Nos faz acreditar que nunca conseguiremos ser o suficiente. E daí a exaustão mental e emocional chega com tudo, afeta nossa autoestima, nossa alegria de viver. E aí, para diminuir essa dor, queremos mostrar aquilo que não somos, afim de diminuir a cobrança, cobrança essa que acreditamos que exista, mesmo quando não existe. Mas enxergamos essa cobrança em tudo, não porque ela esteja lá, mas porque ela está nos nossos olhos.
  Tá, mas o que a gente faz agora?
  O que me ajuda é lembrar que o que está lá no meu feed não é a realidade completa daquela pessoa. Ela é um ser humano complexo, cheia de detalhes e imperfeições, assim como eu.   Aquilo que estou vendo é apenas um recorte muito pequeno e registrado da vida dela, e a minha vida não precisa ser igual. Às vezes ela só sabe falar muito bem, e por isso parece que existe uma pressão para que eu me pareça com ela. E o que é a vida, senão uma coleção de momentos não registrados, imperfeitos, repleta de pensamentos e sentimentos em construção?




*MaRi Rezk*


quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Saudade de mim

                         Saudade de mim



 Sempre paro pra pensar na expressão "desde que me entendo por gente". Difícil lembrar da primeira vez que me percebi como uma pessoa. Só sei que faz muito tempo. E sei que sempre senti que eu era a mesma.  Dos 5 aos 30, parece ser a mesma coisa, a mesma linha, mesma voz de pensamento. Engraçado pensar que desde tão pequena eu já me sentia eu, tanto quanto me sinto agora.
  É claro que, com o passar dos anos, amadurecemos algumas ideias, evoluímos como pessoas, aprendemos algumas lições importantes que nos transformam, tudo isso sem deixarmos de ser nós mesmos.
  E geralmente é essa pessoa que mora na nossa cabeça que nos torna únicos, nos deixa confortáveis na nossa própria companhia, que define nossas preferências, nossas características mais profundas, nossos traços.
  Mas às vezes acontece um fenômeno um tanto quanto perturbador: nós nos perdemos do nosso "eu". Geralmente acontece no início da vida adulta, na fase em que somos praticamente atropelados pela vida, responsabilidades e obrigações. E quando nos perdemos dessa essência tão pura de nós, é como se as nossas cores se apagassem. Tudo fica meio cinza, meio bege.
  Do que eu gosto? Porque não faço mais isso? Quando foi que comecei a ser assim? Acontece tão sutilmente que só percebemos tarde demais. É doloroso e desconfortável. "Que saudade de mim!".
  Passamos tanto tempo sendo consumidos por nossa rotina cansativa, que dia a dia acabamos nos esquecendo de nós. Nos transformamos apenas numa lembrança do passado, uma fotografia desbotada. E, algum dia, alguma memória ressurge, e aí pensamos: "Eu costumava ser assim".
  Ainda não descobri a causa desse fenômeno. O porquê de nos distanciarmos de nós mesmos ainda é um mistério pra mim.
  Mas que delícia é nos reconectarmos ao nosso "eu"! Por mais que, em algum momento da nossa vida, deixamos de caber nessa pessoa que éramos, é muito bom - reconfortante, até - nos reencontrarmos com nossa essência mais antiga, mesmo que por pouco tempo. Como é bom rir com nós mesmos, nos entendermos como alguém com peculiaridades tão complexas, de um jeito que só faz sentido na nossa cabeça.
  Bom mesmo é quando nossos "eu's", nossas versões, conseguem encontrar um meio do caminho onde todo mundo consegue concordar em co-existir. Nos reconectar de forma mais permanente, sem desprezar nossa evolução. Quando nossa essência se torna uma só, cheia de caminhos já percorridos.
  O ser humano é uma bela criação, tão complexa e tão única. Como é bom nos enxergar assim, como alguém tão preenchido de particularidades, gostos, pensamentos e sentimentos, cada parte de nós sendo tão única. Um universo inteiro que chamamos de "Eu".

 *MaRi Rezk*


quinta-feira, 26 de março de 2020

Todo o amor

                                                     Todo o amor  




  Por que nos refreamos tanto de dar todo o amor que temos?
  Existe um grande consenso de que devemos direcionar nosso amor e afeto apenas àqueles que o retribuem à altura. Mas essa troca anda cada dia mais difícil, já que é tão difícil de ver amor sendo distribuído por aí.
  Também acredito que pode ser muito frustrante demonstrar amor (de qualquer tipo) para com quem não faz o mesmo por nós. É como se gastássemos um pouco de nós, e não conseguíssemos recuperar o que foi gasto. Mas já pensou se todos pensassem assim? Onde estaria o amor?
  Um hábito saudável que tento praticar (nem sempre com sucesso, atenção à palavra “tento”) é, logo após cada momento de Por-Que-Vou-Fazer-Isso-Se-Fulano-Não-Faria-O-Mesmo-Por-Mim, pensar no Fulano (a), que como todo mundo no mundo merece consideração e afeto, e porque o que eu quero demonstrar tem que ter a ver com o que ele (a) demonstra por mim.
  Por que mandar mensagem para aquela amiga se ela nunca me manda? Porque ela pode estar passando por uma fase difícil, pode estar numa correria tão grande que não tem tempo para bater papo, ou simplesmente ela tem tantos amigos que acaba falhando com alguns deles, o que não faz dela uma criminosa, nem mesmo uma má amiga.
  Mas... Ei! Se VOCÊ lembra dela, VOCÊ deve mostrar que lembrou, que se importa e que está com saudades! Pode ser que a gente descubra que ela estava pensando tão mal de nós quanto somos ensinados a pensar sobre quem não se manifesta por um tempo. Se essa troca de silêncios permanece por muito tempo, pode ser que esse carinho pelo qual a amizade é sustentada vai se acabando.
  E mais: Por que a generosidade sem esperar nada em troca é geralmente relacionada com coisas materiais? Por que não ser generosos da mesma forma com o nosso tempo, afeto e amor?
  Somos ensinados por aí que a coisa mais importante para nós deve ser nos sentir amados.
  “Só dê valor àqueles que te procuram.”
  “Se ame em primeiro lugar, se valorize.”
  “Não mendigue atenção de ninguém.”
  Uma coisa que aprendi, e me esforço pra entender sempre (porque realmente não é fácil, tamo junto) é que demonstrar que amamos alguém, que talvez não nos nos ame o mesmo tanto, não é mendigar. Desde quando devemos nos sentir satisfeitos com o que recebemos para então retribuir na mesma medida?
  Pode ser que tenha alguém, talvez aí por perto mesmo, que esteja precisando de você, só esperando alguém para resgatá-la de uma prisão (daquelas que nos colocamos e não conseguimos sair sozinhos), e ser salva (às vezes de si mesma).
  Mas pode ser (sendo realistas, sempre) que o seu gesto não seja retribuído, ou até mesmo seja ignorado, desprezado. E tudo bem. A sua semente de amor já saiu de suas mãos, e se vai brotar ou não, não está ao seu alcance decidir. Mas a alegria de dar SEMPRE será maior que a de receber. Sempre.
  Também, se necessário, não pense que uma correção deva vir antes. O amor sempre deve vir antes (fato quase cientificamente comprovado). Nada justifica uma palavra dura, num tom grosseiro, apenas para efeito de correção (lembrando: sempre colocando em prática o verbo “tentar”). E a bondade que demonstramos deve ser suficiente pro outro, não pra nós mesmos.
  Sendo realistas, não é sempre que nos sentimos capazes de ser tão altruístas. Nem mesmo penso dessa forma todo dia. Mas a minha versão mais sensata, quando aparece, pensa assim (e eu procuro ouví-la sempre). Está na hora de parar de sentir pena do nosso coração (até porque só nós mesmos podemos fazer com que ele fique bem, mas isso é assunto pra outra conversa), e mostrar pra ele que não é só pelo amor que recebemos que ele deve bater.


* Mari Rezk *



sexta-feira, 27 de abril de 2018

O Príncipe

                                                       O Príncipe




É só ter paciência. Não se desespere. É comprovado cientificamente que as melhores coisas da vida acontecem sem que você esteja preparado para elas (se não é, deveria). Já percebeu que, em geral, quanto menos dinheiro você tem, mais lindas são as "brusinhas" nas vitrines das lojas? Assim é com o coração. Quanto mais despretensiosamente você vive, mais coisas incríveis acontecem. Também é válido o argumento de que, se você não espera algo bom acontecer, ele tem um gostinho ainda melhor quando acontece. Mas, você deve concordar, parar a vida para esperar que algo incrível surja na sua frente acaba trazendo mais decepções do que felicidade.
O ponto é: pode ser que o amor da sua vida apareça naquele dia em que você está com o cabelo sujo, comendo igual uma doida e com a roupa respingada de comida. E nesse dia você resolve se divertir sem se importar se naquele lugar tem algum cara interessante te olhando e te achando ridícula. Afinal, é exatamente assim que você gosta de ser, e é dessa pessoa que o amor da sua vida deve gostar também. E de repente o seu olhar cruza com o dele, aí a vida e o tempo se encarregam do resto.
Você deve estar se perguntando: "Com que propriedade você está falando sobre esse assunto?" Bom, comigo foi exatamente assim. Depois de muito esperar que o meu príncipe aparecesse na minha frente num cavalo branco (aquela ideia boba e distorcida que os romances ensinaram pra gente), resolvi que eu não mais viveria numa preocupação constante. E logo que abandonei a expectativa insistente, tão logo ele apareceu, e quase que imediatamente eu soube que seria ele. 
E não há sentimento melhor do que saber que aquela pessoa também se encantou com você, mas enxergando você de verdade, e que não vai desistir só porque você é toda atrapalhada pra se expressar, ou porque você deixa comida cair de dentro da boca num restaurante. Porque é de verdade. E não há nada que pague um amor de verdade. Não há nada mais incrível do que sentir seu coração dia à dia sendo preenchido por um sentimento real.
Não se perca no caminho. Aquela mesma essência que você tinha no início, a sua essência, deve permanecer. Mas permita que ele acrescente. Sabe aquela mania que você tem (que eu tenho, né Mariana) de escolher sempre o mesmo lanche no mesmo restaurante, e fazer tudo igual sempre? Deixe ele te ajudar a sair da sua bolha um pouquinho, mas não se esqueça de trazer ele pra dentro da sua bolha também. Amor é troca, é parceria, e pode ser que seja bem diferente do que você imaginava que seria.
E logo você vai poder olhar pra trás e perceber o quão boba foi toda aquela espera, toda aquela expectativa por ideias que só existiam na sua cabeça. E quem diria que aquele cara de blusa vinho que você não estava tentando impressionar naquela festinha há uns poucos anos atrás se tornaria o amor da sua vida... 
Viva. Se divirta, dê risada, dance, sem se preocupar se alguém vai aparecer na sua vida. Lembre-se que, se o seu príncipe aparecer, que ele te ame por inteiro, desse jeito besta que você é. E que, não importa a hora em que ele chegar, aquela se tornará a hora certa. Como eu sei disso tudo? Talvez eu não saiba. Mas, assim... hoje é o meu casamento. 

*MaRi Rezk*


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Voltar pra casa

                                                   

                                                  Voltar pra casa




    De vez em quando a vida fica um pouco difícil, né?! E viver em sociedade não é das partes mais fáceis de se viver. Volta e meia ouvimos um mimimi daqui, uma pressãozinha dalí, uma sutil crítica acolá. E em boa parte dessas situações nós sofremos injustamente. Na maioria das vezes as coisas acontecem sem que as pessoas tentem ver o nosso lado, sem que tentem se colocar no nosso lugar, e até mesmo evitam se dar o trabalho de ouvir nossas justificativas. Esse tipo de coisa geralmente nos incomoda além da conta, não é verdade?!. Pode até nos tirar o sono, nos fazer querer falar mais alto pra nos fazer entender, e pode até mesmo afetar o nosso bem estar. Ás vezes podemos até ter a sensação de que devemos nos justificar pra pessoas que nos acusam injustamente.
   Mas um dia, e espero que esse dia chegue pra todos, resolvemos nos libertar dessa prisão que é tentar provar nossa inocência o tempo todo. Precisamos então tomar medidas para não nos envolver mais em conflitos. Ao invés de brigar, chorar, e tentar nos justificar de todo jeito, nos obrigando a dar razão pra cada gosto e cada ação nossa, a melhor coisa que podemos fazer é deixar pra lá e voltar pra casa. Nada como a segurança de um lar, não é mesmo?
   Todos nós temos aquele cantinho especial em nossa casa, que representa toda a paz que a gente procura. Um cantinho que é só nosso, um refúgio do caos que a vida pode ser às vezes, uma fuga de quem não tem medo de ser desagradável. E lá, no nosso cantinho, a gente encontra a compreensão e aceitação que precisávamos. Lá podemos ser esquisitos sem incomodar ninguém, podemos rir do que quisermos, chorar sem perguntas. E como é feliz esse nosso tão particular mundinho maluco. Podemos ouvir aquela música que só a gente gosta, sem ninguém pra julgar, podemos ver aquele filme bobo e mal-feito, sem ninguém pra criticar. Podemos nutrir aquela fé na humanidade, sem ninguém pra nos mandar parar de ser trouxas.
  Como é bom podermos ser nós mesmos, longes de olhares de desaprovação ou narizes torcidos, que pouco a pouco matam a nossa alegria, sem precisar agradar a mais ninguém que não seja nós mesmos, sem precisar daquele desgaste tão desnecessário que é tentar provar pros outros as nossas boas intenções. Livres de culpa (ou aquela falsa culpa atribuem a nós). Livres.

*MaRi Rezk*