Mudança
Nada te prepara para a mudança.
É um processo mais longo e complexo do que os nossos planos possam prever. É quase como deixar uma vida pra trás, e começar uma nova. A sensação de que nada vai dar certo vive batendo à porta do nosso estômago. E o nosso coração se enche de uma resolução incontestável: ou dá certo, ou dá certo. São inaceitáveis quaisquer tentativas de falha ou auto sabotagem.
Mudar de lugar nos muda inteiros. Mudar de círculo é como precisar duplicar um compartimento de memórias que nasce na nossa mente, e pouco a pouco vai sendo armazenado no nosso coração. Mas esse espaço de armazenamento não substitui memórias por outras. Ele duplica, triplica, e se multiplica quantas vezes forem necessárias, quantas vezes as mudanças de círculo exigirem.
Mudar de lugar nos muda inteiros. Novos hábitos nascem, antigos hábitos evoluem. Nossa vida enriquece, ainda que se percam algumas partes de nós mesmos.
O que eu faço quando acordo? Onde gosto de passar minhas tardes? Para onde olho, observando o nada, calada, quando preciso organizar meus pensamentos?
A maior das vantagens é a necessidade de reinvenção. Explorar novamente os limites. Se readaptar e reencaixar.
É se espremer para caber de novo num mundo que já existe (quase como tentar entrar de novo, aos 33, numa blusinha que eu usava aos 18 [não que eu tenha tentado (até porque seria impossível)]).
É como uma dor de crescimento. Não é fácil, mas os resultados nos fazem progredir.
Algumas vezes tem um sabor um pouco triste. Mas hoje vejo que os lugares que sempre achei que eram físicos, estavam atrás dos meus olhos. As pessoas adquiriram moradia fixa no meu coração. As sensações eu trouxe na pele. O que eu sabia, e que me deixava confortável, se transformou numa enciclopédia que posso consultar sempre que precisar.
Mudar é como um pequeno choque que cura uma dor. No começo dá uma sensação ruim, desconfortável. Mas como é bom sentir a dor indo embora. Não necessariamente a dor de um sofrimento, mas uma dor de não conseguir fazer o que mais quero e preciso no lugar em que me sinto mais confortável.
Não é como ser uma outra “eu” por estar num novo lugar. É ser “eu” em dobro. Muito mais lugares para apreciar, pessoas para se apegar, momentos para criar. É se reinventar sem desprezar o velho.
A saudade logo se instala, num lugar bem confortável. Quando ela se mexe muito, dói, mas o remédio está sempre à mão. A comunicação viaja rápido o suficiente pra não deixar a saudade desconfortável por muito tempo.
E o costume chega, meio sem jeito no início, mas logo se ajeita. Logo esse passa a ser o seu lugar, as pessoas passam a ser as suas pessoas, a vida passa ser tão prazerosa quanto uma boa vida pode ser. A gente só precisa deixar que seja, se permitir abraçar a nova vida. E vivê-la, tanto quanto possível.
E então, todo lugar que você viver, será o seu lugar.
*MaRi Rezk*

🥰❤️
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