Do que você lembra?
Eu amo guardar. Guardo lembrancinhas, desenhos de crianças, fotos (muitas muitas mesmo). Mas talvez aquilo que eu mais guarde são memórias.
Algumas eu escolho, outras não. Às vezes algumas das que eu guardei pulam atrás dos meus olhos, umas boas, outras ruins. Sempre que possível eu empurro as ruins pro fundo da minha cabeça, para enterrá-las tanto quanto possível. Quanto às boas, procuro alimentá-las, para que sempre voltem.
O processo de armazenamento de memórias é atualizado constantemente, com o passar dos anos. Com alguns upgrades, posso dizer. Talvez a maturidade tenha a ver com o aprimoramento do processo. Ou talvez seja o desespero de se livrar do máximo de memórias ruins possível. Quem sabe?
O ponto é : é possível selecioná-las melhor. Tem tudo a ver com os sentimentos. Se, no momento em que eu estou vivendo, eu alimentar um sentimento ruim, ele domina aquela memória. Oposto a isso, se no momento do acontecimento, no momento em que uma memória está sendo criada, eu me lembrar de demonstrar boas qualidades, de ver o lado positivo da situação, e de tentar aproveitar ao máximo o lado bom, estarei criando memórias felizes.
É claro, não é sempre que a gente consegue. Existem situações que despertam um turbilhão de emoções. Mas, como tudo no mundo, a prática ajuda muito.
Não é fácil ser racional. Às vezes os sentimentos são teimosos e gostam de aparecer. Mas eles não nos governam. Eles são nossos, e não nós deles. Percebê-los já é metade do caminho para dominá-los. Vai ser sempre? Não. Mas o pouco que conseguimos já ajuda a praticar.
E construir e manter memórias felizes é como dar um presente pro seu eu do futuro. A gente não gosta que se lembrem de nós pelo nosso pior. Porque fazer isso com os outros?
Quando vivemos as mesmas coisas com alguém, podem ser construídos 2 tipos de recortes. Eu guardo os recortes felizes que vivemos, e pode ser que o outro guarde apenas os recortes tristes das mesmas lembranças. Isso não necessariamente me condena, ou absolve o outro. Nem quer dizer necessariamente que um de nós distorceu a história. Talvez (e apenas talvez, cada história tem milhares de nuances) cada um de nós permitiu que um sentimento diferente amarrasse aquela lembrança, e cada um de nós a alimenta diferente. Cada um se sente confortável dentro de um sentimento diferente.
O cuidado necessário aqui é não deixar que tudo isso afete nossas atitudes de modo definitivo demais. É se lembrar que, acima de tudo, somos seres humanos, que merecem respeito e amor. E, ainda que não mereçamos, precisamos. Para entendê-los, conhecê-los. Respeitar e amar não exclui a justiça, como a justiça não exclui o respeito e o amor.
Amar é não odiar. E não odiar deixa o coração mais leve. Nosso coração, estando mais leve, devolve o alívio à nossa respiração, ao sono, ao estômago.
Não é sobre jogar glitter numa montanha de lixo. É sobre, ali, no meio do lixo, encontrar algo útil e bonito, limpá-lo, e levá-lo pra casa. A gente não precisa trazer junto o lixo pra casa. Precisamos deixá-la no lugar ao qual ela pertence - do lado de fora.
*MaRi Rezk*
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Amei, somos capazes de ter boas memórias S2
ResponderExcluirParabéns 👏🏻
Além de linda é talentosa!
Lembrar e se permitir ser lembrada, da forma que o narrador decidir contar… que consigamos ser sempre o narrador que consegue ver o lado bom das coisas!
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