terça-feira, 8 de setembro de 2026

De:Mari de 33 | Para: Mari de 23

                        De: Mari de 33 | Para: Mari de 23




   Há 10 anos atrás a Mari de 23 deu valiosos conselhos pra Mari de 13. O tempo voou, e chegou a hora dela receber os conselhos do futuro.




Querida Mari de 23, 

  Estou te escrevendo faltando apenas poucos dias para completar 34. Isso não é (só) procrastinação. Na verdade, o seu 33° ano de vida foi o mais movimentado até
agora, o mais transformador e emocionante, por isso esperei até aqui para te escrever.
  Você deve estar imaginando que tenho comigo o segredo do sucesso, a fórmula perfeita para fazer tudo dar certo. Tenho uma má notícia pra te dar... Bom, não exatamente má, mas com certeza não tenho a solução dos seus problemas. O que mais gostaria de te dizer é: os problemas, em sua maioria, não tem solução, e não importa o que eu te diga, você não conseguiria resolvê-los mesmo.
  Quando eles surgirem, por que a vida adulta é cheia deles, lembre-se de respirar, e de ser legal consigo mesma. Você tem a tendência de ser a sua maior crítica, e isso não te ajuda sempre.
  Observe. Tente entender os porquês. Lute contra a mania de achar culpados. E sempre, sempre, se lembre: Você não é responsável pelas decisões de outros, ou por suas conclusões. Saiba se comunicar com leveza, isso vai te poupar de muitos desentendimentos, e, deixe que cada um seja responsável por seus próprios fins.
  Se prepare para as pancadas. Você vai perder pessoas ao longo do caminho (não necessariamente na morte), e isso vai te derrubar violentamente no chão. Mas você vai levantar e, com o tempo, vai se recuperar. Por isso se prepare. Proteja seus sentimentos, suas ideias, suas convicções, e vai ficar tudo bem.
  Você também vai errar muitas vezes. Você só precisa se lembrar que isso é normal,
e o mundo não vai acabar.
  Aprenda a ser feliz com quem você é, e com o que você tem. A sua felicidade virá em cada decisão que te aproximará mais de Jeová, e a cada boa escolha. Ele vai te provar que sua amizade com ele é que faz a sua vida ser feliz.
  Você vai se deparar com vários novos hobbies. Tente dar mais atenção a eles, e terminar os projetos que você começar. E tente não gastar tanto dinheiro neles (você é um pouco obsessiva às vezes). Você vai se aventurar no empreendedorismo e querer fazer tudo ao mesmo tempo. Tente ficar em uma coisa só, e dedique-se. A Mari do futuro seria muito grata.
  Você tem uma linda família de 2. Ela é tão incrível quanto poderia ser a família de 5 ou 6 que você deve estar planejando aos 23, mas com a beleza de ser mais fácil de administrar e te dá a possibilidade de se aventurar muito por aí, e de dar mais de si pra Jeová. Orgulhe-se da sua escolha de amor, Mari de 23 ♥.
  Finalmente chegou o dia em que você entendeu seus pais. Cada regra, castigo, preocupação exagerada. É como se, ao ver seus sobrinhos crescerem, você pudesse enxergar por trás dos olhos dos seus pais e ver o medo que existe lá. Não que você vá concordar com eles, mas vai entender.
  Falando em sobrinhos, você vai ganhar mais um, e vai sentir a diferença de ser tia aos 30. É um amor mais preocupado, mais protetor. Mas tão poderoso quanto o amor por cada um deles. Vê-los crescer, tomar decisões (algumas vezes ruins), vai ser doloroso, disruptivo. Vai mexer com sua ansiedade em níveis que você jamais imaginaria. Sua sanidade será ameaçada, e você será apresentada a novos medos, e a dores intensas. Mas também se encherá de orgulho e gratidão por tê-los ao seu lado, vai aprender muito com suas versões adultas, e vai continuar a amar cada um deles mais do que tudo. Continuarão sendo as suas pessoas favoritas no mundo, cada dia mais.
  Você vai se ver crescer e vencer medos que você nem sabia que tinha. Você vai conhecer a coragem, e ela vai te levar a lugares incríveis. Sua vida vai mudar completamente, e você vai conhecer uma nova versão de si mesma. Vai conhecer muitos lugares, muitos trabalhos, muitos amigos. E que amigos preciosos você vai ganhar! Você vai viver! Sentir! Voar! E as melhores coisas serão vividas de mãos dadas ao seu Criador. Se jogue nas mãos dele o quanto antes.
  A sua aparência vai mudar, nada é mais tão fácil quanto antes. Esteja contente, e cuide da sua saúde, isso é mais importante do que qualquer número que você esteja pensando em buscar. Um dia você vai sentir vontade de ser ruiva. É muito importante que você realize esse desejo. Você nunca mais vai se ver com outra cor de cabelo (até agora...). Saltos não serão mais tão importantes, e a frequência dos "dias de beleza" vão diminuir significativamente. Mas então, o auto cuidado vai vir em novas versões, inclusive melhores. Se cuidar se tornou diferente de se enfeitar.
  O mundo vai virar de ponta cabeça, e levar a sanidade da maioria das pessoas embora. cuide para que pelo menos a maior parte da sua permaneça (tudo não vai dar mesmo, nem sei se já tivemos um dia).
  Deixe a bondade tomar o lugar da raiva. Deixe a empatia crescer. Enxergue as pessoas, veja por trás das dores delas. Ame-as. Conheça-as. Tente entende-las.
  Reduza seu tempo de tela, diminua o açúcar, aprenda um idioma. Desenhe, pinte, borde. Cozinhe, dance, pedale. Viva! Curta cada dia, cada experiência. Você se tornará uma adulta funcional (porém, ainda não dirigimos), mas muito preocupada. Tente não acreditar tanto nas histórias que a sua cabeça inventa.         
  Você se tornará uma pessoa muito adaptável, mas sua ansiedade vai atrasar isso um pouco. Tente se concentrar nos cenários bons enquanto se prepara para os ruins.
  Os seus 32/33 anos serão transformadores. Você vai sentir medo, mas vai viver as coisas mais incríveis que jamais poderia imaginar. Só estou te dizendo isso para que você saiba que já pode começar a se desfazer do medo aí, aos 23. Não demore tanto quanto eu demorei.
  Curta ao máximo as pessoas que você ama. Um dia você vai estar fisicamente longe delas, e são as boas lembranças que vocês construirão que vão te ajudar a lidar com a distância.
  E, um dia, pequenas linhas se formarão nos cantos dos seus olhos, e não vão mais
embora. Cuide para que elas sejam resultado de excesso de sorrisos, não de caretas de preocupação. Você não sabe de tudo, e, aos 33, ainda estou aprendendo. A cada dia percebo o quanto ainda preciso aprender. Estou ansiosa pra ver o que a Mari de 43 vai ter pra me contar.



*MaRi Rezk*

terça-feira, 26 de maio de 2026

Do que você lembra?

                    Do que você lembra?


  Eu amo guardar. Guardo lembrancinhas, desenhos de crianças, fotos (muitas muitas mesmo). Mas talvez aquilo que eu mais guarde são memórias.

  Algumas eu escolho, outras não. Às vezes algumas das que eu guardei pulam atrás dos meus olhos, umas boas, outras ruins. Sempre que possível eu empurro as ruins pro fundo da minha cabeça, para enterrá-las tanto quanto possível. Quanto às boas, procuro alimentá-las, para que sempre voltem.

  O processo de armazenamento de memórias é atualizado constantemente, com o passar dos anos. Com alguns upgrades, posso dizer. Talvez a maturidade tenha a ver com o aprimoramento do processo. Ou talvez seja o desespero de se livrar do máximo de memórias ruins possível. Quem sabe?

  O ponto é : é possível selecioná-las melhor. Tem tudo a ver com os sentimentos. Se, no momento em que eu estou vivendo, eu alimentar um sentimento ruim, ele domina aquela memória. Oposto a isso, se no momento do acontecimento, no momento em que uma memória está sendo criada, eu me lembrar de demonstrar boas qualidades, de ver o lado positivo da situação, e de tentar aproveitar ao máximo o lado bom, estarei criando memórias felizes.

  É claro, não é sempre que a gente consegue. Existem situações que despertam um turbilhão de emoções. Mas, como tudo no mundo, a prática ajuda muito.

  Não é fácil ser racional. Às vezes os sentimentos são teimosos e gostam de aparecer. Mas eles não nos governam. Eles são nossos, e não nós deles. Percebê-los já é metade do caminho para dominá-los. Vai ser sempre? Não. Mas o pouco que conseguimos já ajuda a praticar.

  E construir e manter memórias felizes é como dar um presente pro seu eu do futuro. A gente não gosta que se lembrem de nós pelo nosso pior. Porque fazer isso com os outros?

  Quando vivemos as mesmas coisas com alguém, podem ser construídos 2 tipos de recortes. Eu guardo os recortes felizes que vivemos, e pode ser que o outro guarde apenas os recortes tristes das mesmas lembranças. Isso não necessariamente me condena, ou absolve o outro. Nem quer dizer necessariamente que um de nós distorceu a história. Talvez (e apenas talvez, cada história tem milhares de nuances) cada um de nós permitiu que um sentimento diferente amarrasse aquela lembrança, e cada um de nós a alimenta diferente. Cada um se sente confortável dentro de um sentimento diferente.

  O cuidado necessário aqui é não deixar que tudo isso afete nossas atitudes de modo definitivo demais. É se lembrar que, acima de tudo, somos seres humanos, que merecem respeito e amor. E, ainda que não mereçamos, precisamos. Para entendê-los, conhecê-los. Respeitar e amar não exclui a justiça, como a justiça não exclui o respeito e o amor.

  Amar é não odiar. E não odiar deixa o coração mais leve. Nosso coração, estando mais leve, devolve o alívio à nossa respiração, ao sono, ao estômago.

  Não é sobre jogar glitter numa montanha de lixo. É sobre, ali, no meio do lixo, encontrar algo útil e bonito, limpá-lo, e levá-lo pra casa. A gente não precisa trazer junto o lixo pra casa. Precisamos deixá-la no lugar ao qual ela pertence - do lado de fora.


*MaRi Rezk*



O Dono da Culpa

                      O Dono da Culpa



  De quem é a culpa?
  Não acredito que seja minha. Ninguém acredita que tenha a culpa, geralmente.
  Porque a gente sempre procura um responsável por tudo que acontece?
  O mais difícil é tentar entender porque a gente tenta achar um responsável pelas decisões de alguém. O poder de decisão é uma das coisas mais pessoais que existem. Posso ter vários traumas na minha vida, mas não posso responsabilizá-los pelo que eu decidir fazer. Eles não me definem, nem decidem por mim. Posso usá-los de formas diferentes, para diferentes fins. Posso escolher abraçá-los e deixá-los tornar-se parte de cada um dos meus dias, e direcionarem meus pensamentos e ações. Assim como posso decidir deixá-los no passado, apenas como lições aprendidas. As duas opções são decisões que eu vou tomar, e não posso responsabilizar ninguém por elas.
  Também não posso escolher alguém para culpar por minhas ações. Não poderia dar a alguém tanto poder sobre mim, nem se quisesse.
  Não é que não possamos ser influenciados por outros. Podemos, e muito. Mas ainda que a influência seja grande, e a pressão forte o suficiente para me fazer sofrer, o poder de decisão ainda é meu.
  Eu ainda sou eu, ainda falo e penso por mim.
  Seria muito fácil culpar a outros pelas minhas escolhas. Culpar meus traumas pela minha forma de lidar com eles mesmos. É como dizer que outra pessoa é que merece as consequências pelas minhas ações.
  Às vezes sofremos as consequências das ações de outros (muitas vezes). Mas não devemos carregar essa culpa. Existem muitas nuances sobre o assunto do poder da influência, mas nenhuma dessas nuances nos leva a ser responsáveis pelas decisões de outros.
  “Olha o que você me fez fazer.”
   “Eu fiz isso porque você me fez aquilo.”
  “Eu não queria fazer isso, é culpa sua.”
  Não estou falando aqui sobre coação, ou sobre ameaças. Essas são coisas que podem nos levar, de fato, a fazer aquilo que não queremos.
  Estou falando sobre as pequenas decisões do dia a dia, ou mesmo sobre decisões que tomamos que definem o rumo que a nossa vida vai tomar.
  Posso escolher me afastar, mas posso escolher perdoar. Posso escolher se vou olhar para uma situação de um ângulo ou de outro. Posso decidir que influências externas vão permanecer na minha mente. Posso ser empurrada pra um caminho, mas eu é que decido se vou permanecer nele.
  A culpa é um fardo pesado que ninguém quer carregar. Ninguém gosta de se justificar.      Ninguém quer assumir uma decisão falha. Todos querem fugir da falha, e a melhor forma de se livrar dela é por dá-la a alguém. Alguém que faz parte do assunto, quase sempre. Mas, por pior que seja o outro, a nossa vida ainda é nossa.
  Todos os dias nos deparamos com várias decisões, e sofremos várias influências, constantemente. Podemos escolher ceder aos nossos sentimentos mais intensos, às nossas dores, traumas, cenários. Podemos escolher deixar nosso coração inflamado tomar a decisão por nós.
  Mas também podemos escolher outro caminho para trilhar. Podemos buscar a cura do nosso coração. Tratá-lo, protegê-lo e preenchê-lo do que é bom. E então, deixá-lo participar de uma decisão, junto com nossa mente consciente e racional. Talvez então, quem sabe, a atitude que escolhemos tenha um resultado tão bom, que até queiramos os créditos pela decisão.
  Um trabalho em equipe tem mais chance de acerto. E deixar que outros, que também têm seus corações curados trabalhando com suas mentes conscientes e bem treinadas, sugiram caminhos que fogem do óbvio, ou que simplesmente sejam diferentes do que o que estávamos mais inclinados a escolher, pode trazer resultados ainda melhores.
Exige esforço, humildade e determinação. Mas não há nada como colher os bons frutos das boas escolhas. E levar a culpa sobre elas.


*MaRi Rezk*


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Mudança


Mudança 



 

  Nada te prepara para a mudança. 

 É um processo mais longo e complexo do que os nossos planos possam prever. É quase como deixar uma vida pra trás, e começar uma nova. A sensação de que nada vai dar certo vive batendo à porta do nosso estômago. E o nosso coração se enche de uma resolução incontestável: ou dá certo, ou dá certo. São inaceitáveis quaisquer tentativas de falha ou auto sabotagem.

  Mudar de lugar nos muda inteiros. Mudar de círculo é como precisar duplicar um compartimento de memórias que nasce na nossa mente, e pouco a pouco vai sendo armazenado no nosso coração. Mas esse espaço de armazenamento não substitui memórias por outras. Ele duplica, triplica, e se multiplica quantas vezes forem necessárias, quantas vezes as mudanças de círculo exigirem.

  Mudar de lugar nos muda inteiros. Novos hábitos nascem, antigos hábitos evoluem. Nossa vida enriquece, ainda que se percam algumas partes de nós mesmos.

  O que eu faço quando acordo? Onde gosto de passar minhas tardes? Para onde olho, observando o nada, calada, quando preciso organizar meus pensamentos?

  A maior das vantagens é a necessidade de reinvenção. Explorar novamente os limites. Se readaptar e reencaixar.

  É se espremer para caber de novo num mundo que já existe (quase como tentar entrar de novo, aos 33, numa blusinha que eu usava aos 18 [não que eu tenha tentado (até porque seria impossível)]).

  É como uma dor de crescimento. Não é fácil, mas os resultados nos fazem progredir.

  Algumas vezes tem um sabor um pouco triste. Mas hoje vejo que os lugares que sempre achei que eram físicos, estavam atrás dos meus olhos. As pessoas adquiriram moradia fixa no meu coração. As sensações eu trouxe na pele. O que eu sabia, e que me deixava confortável, se transformou numa enciclopédia que posso consultar sempre que precisar.

  Mudar é como um pequeno choque que cura uma dor. No começo dá uma sensação ruim, desconfortável. Mas como é bom sentir a dor indo embora. Não necessariamente a dor de um sofrimento, mas uma dor de não conseguir fazer o que mais quero e preciso no lugar em que me sinto mais confortável.

  Não é como ser uma outra “eu” por estar num novo lugar. É ser “eu” em dobro. Muito mais lugares para apreciar, pessoas para se apegar, momentos para criar. É se reinventar sem desprezar o velho.

  A saudade logo se instala, num lugar bem confortável. Quando ela se mexe muito, dói, mas o remédio está sempre à mão. A comunicação viaja rápido o suficiente pra não deixar a saudade desconfortável por muito tempo.

  E o costume chega, meio sem jeito no início, mas logo se ajeita. Logo esse passa a ser o seu lugar, as pessoas passam a ser as suas pessoas, a vida passa ser tão prazerosa quanto uma boa vida pode ser. A gente só precisa deixar que seja, se permitir abraçar a nova vida. E vivê-la, tanto quanto possível.

  E então, todo lugar que você viver, será o seu lugar.


     *MaRi Rezk*


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

A Pessoa da Dor

                                                 A Pessoa da Dor




  Às vezes surge sem motivo. Às vezes o motivo mora no fundo do nosso coração. Em outras, o porquê é pequeno demais pra tanto impacto, mas não somos nós que decidimos a intensidade da presença dela. Em muitas vezes, a razão dela surgir é óbvia, grande, e domina todo o nosso entorno.
  A dor, quando surge, é como um outro alguém dentro da gente. Ela toma suas próprias decisões, de quando aparecer, e em qual intensidade vai agir na gente. Quando ela decide que quer se instalar no nosso coração naquele momento, não nos permite guarda-la pra quando estivermos em casa. Ela só vem, assim como deseja.
  Certas dores têm origens menores que outras, mas doem na gente como bem entendem. Quando ela vem acompanhada de um vazio, ele cresce a cada vez que ela nos visita, até que se torna um abismo. 
  Quando o nosso coração figurativo se enche tanto da dor, ele transborda para o nosso coração literal. Conseguimos senti-la no nosso corpo. Seus efeitos a caracterizam quase como uma doença, mas invisível. Uma doença que está em tudo, mas em lugar nenhum. Não pode ser retirada com uma cirurgia, não pode ser vista num raio-x. Mas é capaz de nos paralisar.
A cura vem numa velocidade 100 vezes menor. É de difícil acesso, e geralmente precisa de um empurrãozinho externo pra funcionar. A cura depende de uma energia que a própria dor nos rouba. É um ciclo difícil de quebrar. 
   O tempo não resolve tudo. Ele ajuda, mas não resolve. Tampouco diminui a dor. O tempo apenas nos faz chegar a mais conclusões, que nos ajudam a entender alguns dos porquês. Talvez alguma conformidade. Isso porque o quê a dor mais faz é nos fazer pensar no assunto. E de tanto martelar na nossa cabeça, gerar ideias, teorias e visões de novos ângulos, conseguimos entender certas nuances. Mas a dor continua a doer. 
  A carga é tão pesada, que a melhor maneira de amenizar os danos é dividi-la com alguém. Que é exatamente o que a dor não quer que você faça. Mas é o que nos ajuda a conseguir levantar, ainda que ela continue nos golpeando - pedir e aceitar ajuda.
  Algo que geralmente costuma ajudar é redirecionar nossa concentração. Estabelecer prioridades, identificar pontos positivos, e direcionar nossos pensamentos e esforços para isso. Não estou dizendo que é fácil (e nem que consigo fazer isso sempre). É um processo. Como todo processo, leva tempo e energia.
   Alguns remédios naturais também ajudam na cura. Uma dose diária de luz do sol, brisa suave no rosto e movimento, pra dar um motivo de verdade pro coração acelerar. É preciso se permitir sorrir, apreciar e amar, ainda que sofrendo, lá no fundinho, com as marteladas da dor.
  O importante é que muitas vezes a dor vem acompanhada de um novo saber. Um novo ponto de vista. Não gosto de chamar de lição, porque ninguém gosta de aprender assim. Mas um novo olhar, uma nova percepção. E isso talvez nos ajude a evitar novas dores. E no final, a vida, nessa realidade, é isso - um monte de dores que buscamos evitar.


            *MaRi Rezk*



segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Parecer ou Ser

                                                 
                                                   Parecer ou Ser





   Sempre fui uma grande fã de redes sociais. E, na posição de legítima pessoa tímida (por vezes até de forma problemática), essas redes sempre me proporcionaram a visibilidade que eu gostaria, mas com sofrimento diminuído (pra você que não sabe, gente tímida sofre bastante pra se comunicar. Não é que a gente não queira, é que a gente não consegue). Às vezes visibilidade até demais, não tenho orgulho de tudo que postei. Mas me foi muito útil, por muitas vezes.
  Mas ultimamente, não sei se pela idade ou maturidade, as redes sociais têm me cansado bastante. Talvez me irritado profundamente em algumas ocasiões, mas justamente pelo próprio propósito de sua existência. É sobre parecer mais do que ser.
  E sobre a cobrança de se parecer com o que você não é, ou cobrança do que deveria ser. O cansaço é tanto que os pensamentos estão emaranhados, mas vou desenrolar.
  Sou feliz, mas não todos os dias. Sei me arrumar, mas não estou disposta a fazer isso todo o tempo. Tem dias em que sou divertida, e outros em que estou mais introvertida e não sei conversar direito. Às vezes vou num restaurante japonês legal (bem às vezes, infelizmente), e às vezes eu como um lanche do Mc com o cupom mais barato que eu encontrar (e às vezes miojo é janta sim). Em alguns dias eu tiro fotos bem legais e não compartilho, e às vezes tiro fotos não tão boas, mas que dá vontade de compartilhar.
  O quê, disso tudo, define quem eu sou? Se posto uma foto feliz, perco o direito de ser triste? Se posto uma foto com uma calça indiana amarela e uma camiseta vermelha listrada (específico, pois já me ocorreu), perco o direito de ser elegante? Se posto uma foto boa, perco o direito de postar uma foto embaçada e torta? Será que aqueles 10 segundos de uma foto é tudo o que sou, ou tudo que foi o meu dia?
  É claro que existem questões mais profundas. Uma frase ou ideia postada revela um pensamento, ou ponto de vista. Nesse ponto acredito que sim, é importante ser criterioso. Mas aí é que está. Não é só sobre ser criterioso sobre compartilhar uma ideia, mas sim sobre ser criterioso no nosso pensamento. "Talvez eu não devesse compartilhar esse pensamento", você talvez pense. Mas será que você deve nutrir esse pensamento na sua mente e coração? 
  Talvez seja isso que esteja me incomodando. Tem sido tão disseminado nas redes sociais que você deve falar o que quiser, mostrar o que quiser, ser o que quiser nesse meio, que as pessoas estão esquecendo de cultivar o próprio bom senso. É como se fosse uma nova lei : "Não importa o quão torto sejam seus pensamentos e atitudes, o importante é que você pode ser o que quiser na sua rede social". E, pra falar a verdade, acredito sim que a gente deva postar o que quiser. Mas não é uma contradição na minha linha de raciocínio. Isso porque, se você é criterioso, tem bom senso e sabedoria no seu coração, não tem como dar errado. É bem simples na verdade. Em resumo: pareça ser quem você é, mas primeiro, seja alguém legal.
  As redes vendem uma ideia de que tudo é bonito, fácil, e que a gente deve ser capaz de fazer tudo o que os outros fazem. E isso nos adoece. Nos faz acreditar que nunca conseguiremos ser o suficiente. E daí a exaustão mental e emocional chega com tudo, afeta nossa autoestima, nossa alegria de viver. E aí, para diminuir essa dor, queremos mostrar aquilo que não somos, afim de diminuir a cobrança, cobrança essa que acreditamos que exista, mesmo quando não existe. Mas enxergamos essa cobrança em tudo, não porque ela esteja lá, mas porque ela está nos nossos olhos.
  Tá, mas o que a gente faz agora?
  O que me ajuda é lembrar que o que está lá no meu feed não é a realidade completa daquela pessoa. Ela é um ser humano complexo, cheia de detalhes e imperfeições, assim como eu.   Aquilo que estou vendo é apenas um recorte muito pequeno e registrado da vida dela, e a minha vida não precisa ser igual. Às vezes ela só sabe falar muito bem, e por isso parece que existe uma pressão para que eu me pareça com ela. E o que é a vida, senão uma coleção de momentos não registrados, imperfeitos, repleta de pensamentos e sentimentos em construção?




*MaRi Rezk*


quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Saudade de mim

                         Saudade de mim



 Sempre paro pra pensar na expressão "desde que me entendo por gente". Difícil lembrar da primeira vez que me percebi como uma pessoa. Só sei que faz muito tempo. E sei que sempre senti que eu era a mesma.  Dos 5 aos 30, parece ser a mesma coisa, a mesma linha, mesma voz de pensamento. Engraçado pensar que desde tão pequena eu já me sentia eu, tanto quanto me sinto agora.
  É claro que, com o passar dos anos, amadurecemos algumas ideias, evoluímos como pessoas, aprendemos algumas lições importantes que nos transformam, tudo isso sem deixarmos de ser nós mesmos.
  E geralmente é essa pessoa que mora na nossa cabeça que nos torna únicos, nos deixa confortáveis na nossa própria companhia, que define nossas preferências, nossas características mais profundas, nossos traços.
  Mas às vezes acontece um fenômeno um tanto quanto perturbador: nós nos perdemos do nosso "eu". Geralmente acontece no início da vida adulta, na fase em que somos praticamente atropelados pela vida, responsabilidades e obrigações. E quando nos perdemos dessa essência tão pura de nós, é como se as nossas cores se apagassem. Tudo fica meio cinza, meio bege.
  Do que eu gosto? Porque não faço mais isso? Quando foi que comecei a ser assim? Acontece tão sutilmente que só percebemos tarde demais. É doloroso e desconfortável. "Que saudade de mim!".
  Passamos tanto tempo sendo consumidos por nossa rotina cansativa, que dia a dia acabamos nos esquecendo de nós. Nos transformamos apenas numa lembrança do passado, uma fotografia desbotada. E, algum dia, alguma memória ressurge, e aí pensamos: "Eu costumava ser assim".
  Ainda não descobri a causa desse fenômeno. O porquê de nos distanciarmos de nós mesmos ainda é um mistério pra mim.
  Mas que delícia é nos reconectarmos ao nosso "eu"! Por mais que, em algum momento da nossa vida, deixamos de caber nessa pessoa que éramos, é muito bom - reconfortante, até - nos reencontrarmos com nossa essência mais antiga, mesmo que por pouco tempo. Como é bom rir com nós mesmos, nos entendermos como alguém com peculiaridades tão complexas, de um jeito que só faz sentido na nossa cabeça.
  Bom mesmo é quando nossos "eu's", nossas versões, conseguem encontrar um meio do caminho onde todo mundo consegue concordar em co-existir. Nos reconectar de forma mais permanente, sem desprezar nossa evolução. Quando nossa essência se torna uma só, cheia de caminhos já percorridos.
  O ser humano é uma bela criação, tão complexa e tão única. Como é bom nos enxergar assim, como alguém tão preenchido de particularidades, gostos, pensamentos e sentimentos, cada parte de nós sendo tão única. Um universo inteiro que chamamos de "Eu".

 *MaRi Rezk*


quinta-feira, 26 de março de 2020

Todo o amor

                                                     Todo o amor  




  Por que nos refreamos tanto de dar todo o amor que temos?
  Existe um grande consenso de que devemos direcionar nosso amor e afeto apenas àqueles que o retribuem à altura. Mas essa troca anda cada dia mais difícil, já que é tão difícil de ver amor sendo distribuído por aí.
  Também acredito que pode ser muito frustrante demonstrar amor (de qualquer tipo) para com quem não faz o mesmo por nós. É como se gastássemos um pouco de nós, e não conseguíssemos recuperar o que foi gasto. Mas já pensou se todos pensassem assim? Onde estaria o amor?
  Um hábito saudável que tento praticar (nem sempre com sucesso, atenção à palavra “tento”) é, logo após cada momento de Por-Que-Vou-Fazer-Isso-Se-Fulano-Não-Faria-O-Mesmo-Por-Mim, pensar no Fulano (a), que como todo mundo no mundo merece consideração e afeto, e porque o que eu quero demonstrar tem que ter a ver com o que ele (a) demonstra por mim.
  Por que mandar mensagem para aquela amiga se ela nunca me manda? Porque ela pode estar passando por uma fase difícil, pode estar numa correria tão grande que não tem tempo para bater papo, ou simplesmente ela tem tantos amigos que acaba falhando com alguns deles, o que não faz dela uma criminosa, nem mesmo uma má amiga.
  Mas... Ei! Se VOCÊ lembra dela, VOCÊ deve mostrar que lembrou, que se importa e que está com saudades! Pode ser que a gente descubra que ela estava pensando tão mal de nós quanto somos ensinados a pensar sobre quem não se manifesta por um tempo. Se essa troca de silêncios permanece por muito tempo, pode ser que esse carinho pelo qual a amizade é sustentada vai se acabando.
  E mais: Por que a generosidade sem esperar nada em troca é geralmente relacionada com coisas materiais? Por que não ser generosos da mesma forma com o nosso tempo, afeto e amor?
  Somos ensinados por aí que a coisa mais importante para nós deve ser nos sentir amados.
  “Só dê valor àqueles que te procuram.”
  “Se ame em primeiro lugar, se valorize.”
  “Não mendigue atenção de ninguém.”
  Uma coisa que aprendi, e me esforço pra entender sempre (porque realmente não é fácil, tamo junto) é que demonstrar que amamos alguém, que talvez não nos nos ame o mesmo tanto, não é mendigar. Desde quando devemos nos sentir satisfeitos com o que recebemos para então retribuir na mesma medida?
  Pode ser que tenha alguém, talvez aí por perto mesmo, que esteja precisando de você, só esperando alguém para resgatá-la de uma prisão (daquelas que nos colocamos e não conseguimos sair sozinhos), e ser salva (às vezes de si mesma).
  Mas pode ser (sendo realistas, sempre) que o seu gesto não seja retribuído, ou até mesmo seja ignorado, desprezado. E tudo bem. A sua semente de amor já saiu de suas mãos, e se vai brotar ou não, não está ao seu alcance decidir. Mas a alegria de dar SEMPRE será maior que a de receber. Sempre.
  Também, se necessário, não pense que uma correção deva vir antes. O amor sempre deve vir antes (fato quase cientificamente comprovado). Nada justifica uma palavra dura, num tom grosseiro, apenas para efeito de correção (lembrando: sempre colocando em prática o verbo “tentar”). E a bondade que demonstramos deve ser suficiente pro outro, não pra nós mesmos.
  Sendo realistas, não é sempre que nos sentimos capazes de ser tão altruístas. Nem mesmo penso dessa forma todo dia. Mas a minha versão mais sensata, quando aparece, pensa assim (e eu procuro ouví-la sempre). Está na hora de parar de sentir pena do nosso coração (até porque só nós mesmos podemos fazer com que ele fique bem, mas isso é assunto pra outra conversa), e mostrar pra ele que não é só pelo amor que recebemos que ele deve bater.


* Mari Rezk *



sexta-feira, 27 de abril de 2018

O Príncipe

                                                       O Príncipe




É só ter paciência. Não se desespere. É comprovado cientificamente que as melhores coisas da vida acontecem sem que você esteja preparado para elas (se não é, deveria). Já percebeu que, em geral, quanto menos dinheiro você tem, mais lindas são as "brusinhas" nas vitrines das lojas? Assim é com o coração. Quanto mais despretensiosamente você vive, mais coisas incríveis acontecem. Também é válido o argumento de que, se você não espera algo bom acontecer, ele tem um gostinho ainda melhor quando acontece. Mas, você deve concordar, parar a vida para esperar que algo incrível surja na sua frente acaba trazendo mais decepções do que felicidade.
O ponto é: pode ser que o amor da sua vida apareça naquele dia em que você está com o cabelo sujo, comendo igual uma doida e com a roupa respingada de comida. E nesse dia você resolve se divertir sem se importar se naquele lugar tem algum cara interessante te olhando e te achando ridícula. Afinal, é exatamente assim que você gosta de ser, e é dessa pessoa que o amor da sua vida deve gostar também. E de repente o seu olhar cruza com o dele, aí a vida e o tempo se encarregam do resto.
Você deve estar se perguntando: "Com que propriedade você está falando sobre esse assunto?" Bom, comigo foi exatamente assim. Depois de muito esperar que o meu príncipe aparecesse na minha frente num cavalo branco (aquela ideia boba e distorcida que os romances ensinaram pra gente), resolvi que eu não mais viveria numa preocupação constante. E logo que abandonei a expectativa insistente, tão logo ele apareceu, e quase que imediatamente eu soube que seria ele. 
E não há sentimento melhor do que saber que aquela pessoa também se encantou com você, mas enxergando você de verdade, e que não vai desistir só porque você é toda atrapalhada pra se expressar, ou porque você deixa comida cair de dentro da boca num restaurante. Porque é de verdade. E não há nada que pague um amor de verdade. Não há nada mais incrível do que sentir seu coração dia à dia sendo preenchido por um sentimento real.
Não se perca no caminho. Aquela mesma essência que você tinha no início, a sua essência, deve permanecer. Mas permita que ele acrescente. Sabe aquela mania que você tem (que eu tenho, né Mariana) de escolher sempre o mesmo lanche no mesmo restaurante, e fazer tudo igual sempre? Deixe ele te ajudar a sair da sua bolha um pouquinho, mas não se esqueça de trazer ele pra dentro da sua bolha também. Amor é troca, é parceria, e pode ser que seja bem diferente do que você imaginava que seria.
E logo você vai poder olhar pra trás e perceber o quão boba foi toda aquela espera, toda aquela expectativa por ideias que só existiam na sua cabeça. E quem diria que aquele cara de blusa vinho que você não estava tentando impressionar naquela festinha há uns poucos anos atrás se tornaria o amor da sua vida... 
Viva. Se divirta, dê risada, dance, sem se preocupar se alguém vai aparecer na sua vida. Lembre-se que, se o seu príncipe aparecer, que ele te ame por inteiro, desse jeito besta que você é. E que, não importa a hora em que ele chegar, aquela se tornará a hora certa. Como eu sei disso tudo? Talvez eu não saiba. Mas, assim... hoje é o meu casamento. 

*MaRi Rezk*


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Voltar pra casa

                                                   

                                                  Voltar pra casa




    De vez em quando a vida fica um pouco difícil, né?! E viver em sociedade não é das partes mais fáceis de se viver. Volta e meia ouvimos um mimimi daqui, uma pressãozinha dalí, uma sutil crítica acolá. E em boa parte dessas situações nós sofremos injustamente. Na maioria das vezes as coisas acontecem sem que as pessoas tentem ver o nosso lado, sem que tentem se colocar no nosso lugar, e até mesmo evitam se dar o trabalho de ouvir nossas justificativas. Esse tipo de coisa geralmente nos incomoda além da conta, não é verdade?!. Pode até nos tirar o sono, nos fazer querer falar mais alto pra nos fazer entender, e pode até mesmo afetar o nosso bem estar. Ás vezes podemos até ter a sensação de que devemos nos justificar pra pessoas que nos acusam injustamente.
   Mas um dia, e espero que esse dia chegue pra todos, resolvemos nos libertar dessa prisão que é tentar provar nossa inocência o tempo todo. Precisamos então tomar medidas para não nos envolver mais em conflitos. Ao invés de brigar, chorar, e tentar nos justificar de todo jeito, nos obrigando a dar razão pra cada gosto e cada ação nossa, a melhor coisa que podemos fazer é deixar pra lá e voltar pra casa. Nada como a segurança de um lar, não é mesmo?
   Todos nós temos aquele cantinho especial em nossa casa, que representa toda a paz que a gente procura. Um cantinho que é só nosso, um refúgio do caos que a vida pode ser às vezes, uma fuga de quem não tem medo de ser desagradável. E lá, no nosso cantinho, a gente encontra a compreensão e aceitação que precisávamos. Lá podemos ser esquisitos sem incomodar ninguém, podemos rir do que quisermos, chorar sem perguntas. E como é feliz esse nosso tão particular mundinho maluco. Podemos ouvir aquela música que só a gente gosta, sem ninguém pra julgar, podemos ver aquele filme bobo e mal-feito, sem ninguém pra criticar. Podemos nutrir aquela fé na humanidade, sem ninguém pra nos mandar parar de ser trouxas.
  Como é bom podermos ser nós mesmos, longes de olhares de desaprovação ou narizes torcidos, que pouco a pouco matam a nossa alegria, sem precisar agradar a mais ninguém que não seja nós mesmos, sem precisar daquele desgaste tão desnecessário que é tentar provar pros outros as nossas boas intenções. Livres de culpa (ou aquela falsa culpa atribuem a nós). Livres.

*MaRi Rezk*

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Você não é trouxa

                                                                   

                                                    Você não é trouxa






  Tem uma coisa que eu preciso te contar. Você​ tem sido enganado há anos, e, agora que eu sei, não posso mais guardar esse segredo pra mim. Na verdade, assim que eu descobri, tenho pensado em qual seria o melhor jeito de te dizer isso. Espero que você esteja preparado pra isso, não é algo muito fácil de se ouvir. Chega de enrolar, vou falar de uma vez... Preparado? Lá vai: Você não é trouxa! Eu sei, parece ser um pouco difícil de acreditar, mas é a verdade. E tem uma lógica por trás dessa verdade que​ talvez faça você concordar comigo.
  Por muito tempo a gente ouviu de todo mundo que quem faz algo legal, ou ajuda, ou é simpático, ou dá uma segunda chance pra alguém que não dá valor, que ignora, que engana ou trai, é trouxa. Eu já ouvi isso centenas de vezes, e já falei isso outras milhares. Mas, pensa bem. Porque fazer algo bom pra alguém, muitas vezes pra alguém que é importante pra você, faz de você uma pessoa trouxa? Porque você é que tem que se sentir mal por ter feito alguma coisa legal, se foi a outra pessoa que não deu valor ou rejeitou?
  A gente aprende por aí que esperto é quem faz as coisas para a própria vantagem, quem pensa primeiro em si mesmo pra depois pensar nos outros. Mas será que é assim mesmo que a gente tem que pensar? É claro que quando fazemos o bem pra alguém que não dá valor, sentimos uma revolta dentro de nós, como se o bem que fazemos nunca fosse reconhecido. Eu já senti essa revolta muitas e muitas vezes. É normal se sentir triste com isso. Eu diria até que é quase impossível não se sentir mal por sermos enganados ou ignorados, e seria demais pedir pra você não se chatear com situações assim. Mas o que você tem que entender é o seguinte: você não precisa se sentir mal por ter feito o bem. Você não é trouxa.
  Quem precisa se sentir mal com os seus atos é quem ignora um gesto legal de alguém, quem não responde um sorriso com outro sorriso de volta (de propósito), quem volta a tratar mal quem lhe deu uma segunda chance, quem engana ou trai quem só quer seu bem.
  Lembre-se que uma das coisas mais importantes que a gente precisa fazer é amar ao próximo. E não é só o próximo que devolve a sua gentileza, viu?! Você não deve se sentir mal por ter feito algo bom pra quem quer que seja, mas deve se sentir feliz por estar fazendo o certo.
  Não estou dizendo que você é obrigado a continuar agradando quem te rejeita. Talvez persistir nisso adoeça seu coração, e faça com que você acabe adquirindo uma percepção errada do que é o amor e a amizade. Amizade e amor, quando não correspondidos, deixam de ser relacionamentos saudáveis, para ambos os lados. Mas não deixe que esse tipo de coisa faça você se arrepender por ter feito algo de bom, ou ter sido simpático ou prestativo. Lembre-se que o máximo que você pode fazer é a sua própria parte. Sinta-se alegre por fazer o seu melhor. Criar inimizades por aí simplesmente por não ter seu gesto reconhecido ou valorizado, pode tirar todo o brilho da sua boa intenção. Faça o bem sem olhar a quem, já dizia o ditado. Pague sempre com o bem. Se a pessoa não aceitar, então a recompensa será toda sua.


*MaRi Rezk*


domingo, 28 de maio de 2017

Você é dos que complicam ou dos que facilitam?

               

                   Você é dos que complicam ou dos que facilitam?




  A vida às vezes parece ser tão complicada, né?! Estudar, trabalhar, pagar boletos, namorar (e tem que ser bonito!), casar (e tem que fazer um festão!), ter filhos (que você não poderá decidir como criá-los), contratar serviços, reclamar dos serviços contratados, ser simpático, ler muitos livros, redes sociais, ter boa postura, pensar no que comer (3 vezes por dia!), colocar as séries em dia, ter uma carreira de sucesso, carro, ter um extenso (muito extenso mesmo) vocabulário, ter amigos, conseguir dar atenção especial a cada amigo, tomar cuidado com tudo o que falar pra não ofender ninguém, passear, cozinhar, cuidar da casa, regras de etiqueta, ajudar a quem precisa, ser ajudado, ter conhecimento (pelo menos um pouco) de cada área da vida, saber o que está acontecendo no Brasil e no mundo, viajar, comprar, vender, emprestar, saber como funciona tudo no mundo.
  Parece ser bem desgastante ser adulto hoje em dia, não parece?! E é. A cada momento de cada dia algo é cobrado de nós. A pressão de ter/saber tudo que (supostamente) deveríamos é muito grande. E se falharmos em algum aspecto dos citados acima, temos uma enorme dívida com a sociedade, que precisa ser paga o quanto antes.
  Quantas pessoas que você conhece que sofrem (seja no grau que for) de ansiedade? Muitas​, né?!
  Realmente, é muito difícil viver. Por mais que você sinta que vai explodir em algum momento, não é permitido  surtar. E é preciso muita coragem e determinação pra não permitir que abusem do nosso psicológico com tantas cobranças. Eu admiro, respeito e invejo você que tem essa força.
  E mesmo a vida sendo assim tão complicada, tem gente que gosta de complicar ainda mais! A vida poderia ser muito mais simples, mais suave, mais tranquila, se as pessoas quisessem. Digo isso porque a receita é até bem simples. Já parou pra ver as coisas do ponto de vista do outro? Já tentou se colocar no lugar das pessoas antes de julgar suas ações? Só isso já seria meio caminho andado pra deixar de pertencer ao time das pessoas que complicam a vida. Mas tem mais...
  Não estou dizendo que você deva pensar como eu penso. Até porque a idéia do tema é justamente essa! Cada pessoa é um ser individual e maravilhoso, do jeito que é. E a gente precisa entender e aceitar que os outros são diferentes da gente, e que tudo bem! Não que devamos concordar em tudo, até porque isso tiraria exatamente o que temos de especial, a nossa essência. Tá muito complicado de entender? Então vou tentar simplificar.
  Pare pra escutar o que as pessoas tem a dizer. Converse antes de brigar. Ouça antes de falar (ta na Bíblia, inclusive). Seja paciente, tente compreender as razões do outro. Seja bondoso ao falar com os outros, seja qual for o nível de intimidade, quando for dar conselhos, brincar, ou até brigar com alguém. Entenda o outro. Observe antes concluir. Ouça os dois lados da história antes de escolher um deles (muito importante). Não julgue sem conhecer todos os fatos necessários. Não toque na ferida de alguém antes de pensar como você se sentiria se alguém tocasse na sua. Não exija dos outros o que você considera melhor para si mesmo. Não deixe os seus defeitos dominarem quem você é. Lute contra seu lado ruim. Entenda que amar o outro não é ser igual o outro, ou ser amigo, ou concordar com o outro. Amar o outro é respeitar, enxergar mais as qualidades do que os defeitos do outro, e desejar sempre o bem (mas de coração, hein?!), mesmo que de longe seja mais fácil fazê-lo. É não desejar o mal de alguém só porque ele desejou o seu mal. Perdoe. Mas tente perdoar de dentro pra fora. Seja a melhor versão de si mesmo, sempre disposto a se aprimorar. E nunca (jamais!) deixe de lado o que você sabe ou acha que é o certo ou errado só para agradar alguém. Não renuncie as suas convicções só para agradar quem está em volta. Apenas tente entender que as pessoas são tão imperfeitas quanto você, e que talvez elas não estejam enxergando seus próprios erros, assim como nós muitas vezes não enxergamos os nossos, e se você não quiser ajudá-las amorosamente a entender isso, ao menos espere sempre o bem. Deseje sempre a paz.
  Não estou falando como uma grande professora da vida. Muito pelo contrário, tenho muito mais (muito, muito mesmo) a aprender do que a ensinar. E pode ser que eu tenha falado um monte de bobagem até agora. Mas as palavras acima são o resultado do que eu vivi e aprendi. Não que eu sequer consiga fazer um terço do que eu disse. Infelizmente a nossa tendência é errar vez após vez. Mas se a gente pelo menos se esforçar pra ser melhor, e se o nosso melhor se sobrepor ao nosso pior, nós já poderemos pedir a carteirinha do Clube Internacional das Pessoas que Facilitam a Vida. Entender que as coisas não são só do jeito que a gente acha que é facilita até a nossa própria vida. Compliquei mais ainda? Deixa eu tentar simplificar mais. Ame primeiro. Só isso.


*MaRi Rezk*



quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Sobre ser adulto...

                                                    Sobre ser adulto...




  Fui uma grande admiradora dos adultos, enquanto ainda não podia ser uma. Sempre foi o meu objetivo me tornar, o quanto antes, uma dessas pessoas grandes que pareciam ser tão fortes, tão sábias, tão cheias de certezas e de grandes feitos em seus históricos. Me admirava o grau de confiança em que davam as respostas das perguntas que, para mim, pareciam ser tão complexas. Me impressionava a objetividade (não que eu soubesse na época o que essa palavra queria dizer, mas seu significado passeava pelas minhas ideias de vez em quando...rs) com que certas decisões eram tomadas, com uma aparente certeza de sucesso no final das contas. Como, além de altos e fortes, esses tais adultos podiam saber de tudo?
  Mal sabia eu que os adultos são apenas meros rascunhos das maravilhosas crianças que haviam sido. Não eram, nem de perto, as incríveis criaturas que eu tanto pintava na minha cabeça. Mas isso é algo que descobrimos depois que chegamos lá. E, quando finalmente alcançamos a antes tão esperada idade de amadurecimento (apesar de que existem aqueles que nunca chegam lá), entendemos que a ilusão das crianças nesse respeito é muito importante para seu senso de confiança, e mesmo pra sua própria segurança. As crianças precisam acreditar que seus adultos responsáveis sabem de tudo, e que conhecem as consequências de cada ação perigosa que os mini seres humanos tanto amam fazer (pra testar o coração de seus respectivos pais, avós, tios ou "Maris"). 
  Mas a cruel verdade, que só nos é revelada quando já iniciamos na vida adulta é: bom mesmo era ser criança. E, adivinha só, você nunca mais poderá ser uma. E não estou falando sobre ter um espírito jovem, ou ser uma eterna criança no sentido de sempre se divertir com tudo e levar a vida leve. Você pode ser tão bobo e brincalhão quanto quiser. Mas, amigo, criança você não vai ser nunca mais. O que eu quero dizer é: você nunca vai recuperar a inocência que tinha quando não sabia de muita coisa da vida. Não dá pra "des-saber" das coisas. E, portanto, não dá pra voltar a ser criança. E essa é só a primeira de muitas surpresas tristes que temos quando finalmente chegamos lá.
  Talvez não haja idade mais emocionalmente perturbada do que a idade de "jovem adulto". É preciso estar preparado para conseguir manter-se são diante de tantas mudanças. Jovem adulto é aquele adulto que ainda só sabe ser adolescente. Nessa fase da vida, você recebe uma mala grande cheia de responsabilidades, com um bilhete preso no zíper que diz: "Se vira". Basicamente é isso. Você sabe muito pouco da vida, mas tem que aprender a lidar com ela. E lhe é cobrado que defina bem cada aspecto importante da sua vida desde já. E talvez a parte mais difícil é que, como uma criança que é comparada com o amiguinho que "come todo o papá", a pressão de ser como o coleguinha da mesma idade que faz as coisas melhor do que vc ainda é muito constante, em cada área importante da vida (não na parte de comer tudo o que está no prato, isso você vai conseguir bem até demais. Afinal, ansiedade é uma realidade agora). Se seu amigo consegue trabalhar, estudar, formar uma família e fazer malabarismo com 7 bolinhas, com uma mão só, você também consegue! Mas não se desespere, querido jovem adulto. As coisas não vão ficar mais fáceis (o que seria o motivo perfeito para se desesperar), mas com o tempo você vai conseguir lidar melhor com a pressão e a ansiedade (mesmo que seja com ajuda profissional), e, com o passar dos anos da vida de adulto (pra mim, cada ano como adulto equivale a um mês de vida de uma criança, porque a infância parece ter durado uma vida inteira. Triste realidade) você acaba se acostumando com a correria.
  E então, você descobre, em si mesmo, a verdade sobre ser adulto.
  Quando a gente cresce, descobre que adulto é quem mais precisa aprender e muitas vezes isso acontece na prática, na hora do aperto mesmo, sabe?! As incertezas estarão sempre lá, a vida toda. E finalmente entendemos que adulto não sabe de tudo. Que adulto chora, até mais do que criança, mas, por ter sido ensinado desde pequeno que adulto não chora, tenta disfarçar ao máximo. Adulto disfarça até risada (principalmente se for de algo bem besta. Afinal, coisas bestas não perdem a graça nunca), medo de escuro, medo de errar. E como erram os adultos! E julgam, criticam, complicam. Pegamos algo que costumava ser bem simples de entender e distinguir, e adicionamos milhares de variáveis (tá vendo como eu compliquei essa frase?). Porque adulto tem o péssimo hábito de achar que só porque é adulto, as coisas não podem ser tão simples.
  E você não vai acreditar no que eu vou te contar. Tá preparado? Lá vai: não precisa ser tão difícil. Que tal descomplicar? Que tal pegar esse monte de peso que a vida tem, transformar em pluma e soprar ao vento? É claro que é mais fácil falar do que fazer, mas não custa tentar. Não custa focar na beleza e delicadeza das coisas, nas poucas mas sinceras palavras, nos simples mas belos gestos.
  Porque a verdade é que adulto tenta ver poesia em tudo. Criança simplesmente o é. E talvez seja isso que nos esteja faltando: ser poesia.



*MaRi Rezk*


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

De: Mari de 23 | Para: Mari de 13


                                     De: Mari de 23 | Para: Mari de 13






   Fui convidada pela minha amiga Carú a realizar a divertida tarefa de escrever uma carta para a “eu” de 10 anos atrás. Me apaixonei pela ideia porque, além de ser uma proposta criativa, também é uma boa oportunidade de dar significativos conselhos para a pessoa que mais precisou deles  que eu já conheci – a Mari de 13 anos. E quem sabe um dia a Mari de 33 não tenha muito que me ensinar?


   Querida fat Mari de 13 anos,

  Parabéns, você sobreviveu à adolescência (apesar de alguns acharem que você ainda está nela)! Devo admitir que não foi fácil, principalmente depois de tantas transformações, reviravoltas e surpresas da vida. Mas hoje posso dizer com orgulho que, como adulta, você é, imagine só, feliz! E entenda que os seus erros, acertos, vergonhas e decepções serão de muita ajuda para que você aprenda lições importantes. Tente perceber cada uma dessas lições contidas em cada lágrima, e em cada sorriso. Elas serão o seu guia para que você aproveite da melhor forma possível essa fase tão desastrosamente maravilhosa que é a adolescência. Ainda assim, gostaria de dar uns conselhos bem valiosos que podem te ajudar um pouquinho nessa terrível bela transição. Vai por mim.
  Tenta dar uma maneirada nessas respostinhas que você ama dar. Você se acha toda espertona agora, e vai se sentir assim por alguns anos, mas, acredite, você vai se envergonhar de 90% desses momentos quando for adulta. E um dia você vai perceber que foi desnecessariamente agressiva em alguns diálogos com pessoas inocentes (“Seje menas”). E você está longe de ser a pessoa mais inteligente do mundo. Tente se lembrar disso.
  Tenta se preocupar menos com os problemas da vida, e se divirta mais! Só se tem 13 anos uma vez na vida (e 14 também, e 15 também...), então aproveite para curtir bem essa época.
  Já vai tentando superar o seu medo de atravessar a rua, porque isso talvez te ajude a superar o seu futuro medo de dirigir.
  Desde já peça pra sua mãe te ensinar a cozinhar. Você vai demorar muito pra começar a se aventurar nesse ramo, então facilite sua vida adulta desde agora.
  Você só vai conseguir ser magra lá pelos 15 anos (mas ninguém vai te dizer isso, então tente perceber por conta própria para não sofrer mais com o bullying familiar), e será uma fase passageira. E nem todo ano você vai ter uma virose para equilibrar seu peso, então... faça algo a respeito.
  Entre os 14 e 15 anos você achar que fica bem usando duas Maria-chiquinhas no cabelo. Evite isso.
  Tenta ter um controle com a sua coleção de esmaltes. Você não precisa de tantos, e muitos deles vão estragar sem terem sido usados até o fim. Esse vício vai aumentar com o tempo, e você vai passar um bom tempo sem entrar em farmácias ou perfumarias para se manter “sóbria”
 (Mas estamos bem agora).
  Não assista tantos filmes de romance nos próximos anos, eles não vão te fazer muito bem. Substitua por filmes de heróis, você vai gostar muito deles no futuro. E são bem mais saudáveis.
  Você nunca vai colocar os pés numa academia, vamos ser sinceras. Mas tenta começar a fazer algum exercício agora (por favor, me ajuda). Faz de tudo pra perder essa barriga o quanto antes! Porque vai chegar uma época da sua vida em que ela simplesmente vai se recusar a ir embora.
  Quando você começar a ganhar seu próprio dinheirinho, evite ao máximo entrar em docerias, chocolaterias e afins. Sabemos que você não é forte o bastante pra resistir, então passe o mais longe possível da tentação. E, se você guardar todo o dinheiro que gastaria em doces, talvez seja uma jovem milionária aos 23. Quem sabe...
  Com relação a meninos, continue fazendo o que você está fazendo. Um dia vai valer muito a pena, e você vai ser muito feliz.
  Evite ao máximo usar as palavras “sempre” e “nunca”. A vida vai sempre te surpreender, para o bem e para o mal.
  Esqueça tudo o que você acha que sabe sobre beleza. Você não sabe de nada.
  Tenta fazer com que a sua mãe coloque aparelho em você logo. A época de ser feia é agora. E corre pra uma dermatologista. Corre!!
  Aproveite a sua família ao máximo. Um dia, alguns membros dela te farão muita falta. Amigos vêm e vão, e poucos ficarão.
  Um dia você vai descobrir que ama escrever (você já ama, na verdade. Só não sabe ainda). Investe tudo nisso!
  Evite ao máximo todo e qualquer conflito (surgirão alguns pelo caminho).Tenta se dar bem com todo mundo. Esquece tudo o que você acha que sabe sobre pessoas. Julgue menos. Sorria mais (pra todo mundo).
  Já vai pensando o quer da vida agora. Seja mais ativa, se arrisque mais!
  Num belo dia você vai descobrir que a melhor coisa da vida é ser eclética. Esqueça a ideia de que só o que você gosta é legal, e vai perceber que é muito mais interessante estar disposto a experimentar o novo.
  Não tenta enrolar o cabelo até que você faça luzes. Só assim vai funcionar.
  E seja tão feliz quanto conseguir. Foca em tudo de bom que acontecer com você, e a vida vai parecer bem mais suave. Viva cada fase no seu tempo, sem stress. Não se esqueça de estar sempre disposta a aprender (como sou até hoje). Não permita que a sua essência se perca no meio do caminho, dá muito trabalho procurar depois. Você vai vencer muitos medos, e muitas boas escolhas estão nesse caminho em que você vai percorrer. Divirta-se tanto quanto puder! Daqui onde estou posso olhar para trás, pra você, e, entre uma decepção e outra, posso dizer com orgulho: nós conseguimos! Só não conseguimos ser magras por muito tempo. Mas isso é só um detalhe.
 
 
 
*MaRi Rezk*